DORA no meio do ano não é o relatório de semestre. É o número que entra no próximo sprint: lead time, frequência, falha ou recuperação — um. Post-its ilegíveis na retro (capa) deveriam carregar um experimento, não vinte intenções. Sem dono, o meio do ano replica janeiro com gráfico mais velho.

Planejamento com DORA combinou a definição. Fechamento do Q1 deveria ter deixado um experimento. Julho cobra. Entrega de valor no ágil é ação no quadro. Arquivo de métrica não é ágil.

Como escolher “o” número

O que mais dói agora, com fonte reproduzível. Se a definição mudou no Q2, não compare com janeiro sem nota. Se nunca houve definição, o entregável de julho é escrevê-la — não um percentil de mercado.

Meio do ano puxa vanity: “estamos melhores que o relatório DORA”. Vocês estão melhores que vocês em março? Essa é a pergunta. Sem a série, não há resposta. Sem resposta, não há sprint.

Experimento que cabe em 15 dias

SLA de first review. Lote menor. Rollback documentado. Um on-call de serviço. Não “adotar DORA”. DORA já são quatro relógios. O sprint é o mecanismo de um ponteiro.

Fábrica e time interno: o mesmo recorte. Sustentação 24×7 usa recuperação de verdade no semestre — incidente, não só o post-it.

O que não fazer na retro de julho

Não comprar ferramenta no último dia. Não trocar a definição para o gráfico ficar verde. Não punir o time por número feio se a fonte acabou de nascer. Número feio com dono é o melhor insumo do segundo semestre.

Prova antes da promessa: o item no board. Não o PDF para a diretoria sem o item.

Julho também é quando o time já memorizou o atalho: hotfix fora do número, review “depois do feriado”, deploy acumulado na quinta. O meio do ano serve para nomear o atalho e decidir se ele continua. Se continuar, a definição DORA deveria incluí-lo — senão vocês medem o teatro e operam o real. Um experimento de quinze dias não conserta o semestre. Conserta o próximo ciclo, que ainda dá tempo de sentir em setembro.

Como a Tech Coders usa DORA no meio do ano

Na fábrica de software, o meio do ano entra como um item de fluxo no sprint de 15 dias, com os quatro números se a fonte existir. Não encenamos semestre de cultura. Mudamos o quadro. Sustentação 24×7 permanece o teste da recuperação — o número que o usuário sente.

Perguntas frequentes

E se os quatro pioraram?

Escolha o que explica o sintoma (fila, medo, teste). Piorar tudo ao mesmo tempo muitas vezes é mudança de medição. Verifique a fonte antes da bronca.

Diretoria quer os quatro no slide.

Slide com uma frase de ação por número. Quatro gráficos mudos não são gestão. São enfeite.

Meio do ano é tarde para mudar o processo?

É o momento em que o hábito de seis meses já apareceu. Tarde é não mudar. O sprint seguinte ainda existe.

Daily deve passar a ser “daily DORA”?

Não. Retro e planning. Daily: impedimento. O número do semestre não se resolve em quinze minutos em pé.