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DORA no fechamento do Q1 é retrospectiva com quatro números — lead time, frequência de deploy, falha na mudança, recuperação — cada um com dono e fonte. Se o planning de janeiro não definiu denominador, março fecha com dashboard de mentira. O trimestre que importa é o que muda o sprint seguinte, não o que embeleza o relatório.
Quem combinou DORA no planejamento agora confronta a aposta. Quem não combinou não “adota DORA” no fechamento: adota um gráfico. Metodologias ágeis e entrega de valor pedem ação no quadro. Número sem item é wallpaper.
Como ler os quatro sem teatro
Lead time alto: onde está a espera — review, ambiente, aprovação de negócio? Frequência baixa: medo, lote enorme, pipeline quebrado? Change fail alto: teste fraco ou definição de “falha” honesta demais (e isso pode ser bom)? Recuperação lenta: sem rollback, sem dono de serviço.
Lead time travado no review é o achado mais comum em times que já compilam rápido. O fechamento do Q1 deveria dizer isso em uma frase, não em vinte slides de ferramenta.
Não compare com “elite mundial” como contrato. Compare com a definição de janeiro. Se janeiro não existiu, o único entregável honesto do fechamento é escrever a definição para o Q2.
Retrospectiva de uma hora
- os quatro números na parede (simples, mesmo no quadro);
- um gargalo escolhido;
- um experimento de processo para as próximas quatro semanas;
- dono do experimento (humano).
Evite lista de vinte melhorias. Evite comprar ferramenta no último dia do trimestre para “ter DORA”. A ferramenta sem dono volta no Q2 como o mesmo wallpaper.
O que o próximo planning herda
O experimento vira item. Meta de número só se a fonte for reproduzível. Time de fábrica e time interno usam o mesmo rito: sprint de 15 dias cabe um experimento de fluxo (SLA de PR, lote menor, feature flag). Não cabe um “projeto de cultura” eterno.
Prova antes da promessa: vocês mostram a definição e o próximo passo. Não mostram um salto milagroso de percentil.
O fechamento do Q1 também é o momento de admitir o hotfix que não entrou no número. Se o time “não abre incidente” para não sujar change fail, o trimestre mente. Melhor um gráfico feio com critério honesto do que elite de papel. O experimento do Q2 nasce dessa honestidade — um gargalo, um dono, quinze dias. Diretoria ganha uma frase. O quadro ganha um card. Os dois precisam existir juntos.
Como a Tech Coders fecha o Q1 na fábrica
Na fábrica de software, o fechamento de trimestre inclui os quatro números se o cliente combinou fonte. O sprint seguinte recebe um item de fluxo. Sustentação 24×7 usa recuperação e falha de verdade — incidente, não só o gráfico. Sem dono, não encenamos DORA.
Perguntas frequentes
E se os números tiverem piorado?
Piorar com definição clara é informação. Piorar porque a ferramenta mudou o cálculo é ruído. Trate os dois de forma diferente. Não esconda o primeiro.
Preciso de todos os quatro no relatório para a diretoria?
Precisa das quatro definições. O relatório executivo pode destacar o gargalo. Quatro gráficos sem frase de ação não ajudam o decisor.
Ferramenta nova no Q2 resolve?
Resolve coleta. Não resolve fila de PR. Compre ferramenta quando a definição já existe e a coleta manual dói. Antes disso, Git e pipeline bastam para o primeiro recorte.
Daily deve passar a ler DORA?
Não. Retrospectiva e planning. Daily trata impedimento do dia.
Guia do tema: Metodologias Ágeis na Prática: Como Entregar Valor Real ao Negócio